Após um dia de trabalho, cobrindo polícia e cultura, paro para assistir o Jornal da Globo. Fiquei emocionado ao saber que uma brasileira ganhou o ouro na prova de salto. Uma coisa muito linda, me senti criança subindo ao pódio, ganhando uma medalha de ouro. Como é bom ganhar, é gostoso demais. Lembrei de quando eu participei de uma corrida de bicicleta na ladeira do condomínio que eu morei, o Lagoa Verde. Eu tinha uma bike, alguma que não era a caloi, mas era boa, de correr.
Eu era craque em bicicleta, pelo menos me sentia um. Devia ser um sábado ou um domingo, e eu pedalei com todas as minhas forças e segurança. Era verdade, de todos ali eu era o melhor. A ladeira tinha uma curva imensa para voltar. Era alucinante, eu era pequeno, magro, mas decidido a ganhar aquela corrida. Sempre fui bom em corridas até eu acender o meu primeiro cigarro. Só corro mesmo de ladrão, sinto desespero e adrenalina.
O condomínio todo assistia e meus familiares só esperavam a minha vitória para que pudéssemos ir à praia. Ah, o céu daquele dia estava uma loucura. Tinha uns sete ou oito anos. Usava os óculos. Logo depois da curva, em uma velocidade de 30km por hora, eu perdi o controle da bicicleta e caí, ralei o joelho, e chorei. Depois disso não recordo de outras competições, a não ser as de natação, que acredito ter ganhado uma medalha de ouro. Modéstia à parte, eu sou bom nadador. Talvez nessa modalidade eu ganhe o ouro.
Mas sim, a vencedora entrevistada pela repórter lá, do Jornal Globo, me emocionou por alguns minutos, me fez até pensar em fazer um exercício físico para manter a forma. No intervalo do jornal, a chamada do Fantástico anunciava uma matéria sobre dois gays que adotaram uma criança. O primeiro, e não sei se único, casal de homens com um filho adotivo no Brasil. Zeca Camargo perguntava “será que ainda existe preconceito com essa nova família?”. Fiquei feliz em ver um casal de gays com uma filha adotiva, lindinha, muito amada. Isso despertou meu lado pai, minha vontade de ter uma cria para ensinar o que acho certo. Pensarei nisso aos 40 anos, daqui até lá preciso ter dinheiro para pagar as viagens dela pelo mundo, o inglês, espanhol e o chinês, claro.
Na volta do jornal, emocionado demais pelas lembranças, pedi para não mais ver nada sobre competições. Esperei logo por uma notícia factual: a morte de um estudante no morro da Providência, crivado de balas por um policial militar, a nova chacina ocorrida na Pituba, em Salvador, ou a descoberta de vida humana em Marte. Ai, essa última seria um luxo,
Mas acontece que não poderia ver outra coisa senão os jogos olímpicos importantíssimos para o nosso progresso. Assim como a Copa, que já deixa de ser ansiolítico e passa a ser um lexotan.
É tudo muito ótimo, realmente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário