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21 de abril de 2009

Essa chuva que arrasta casas, que alaga ruas, que desabriga famílias, me desnuda por completo. Lava meu rosto, mostra a minha verdadeira face diante do reflexo dos vidros dos carros, do espelho de meu banheiro.
Já não me pinto mais para esconder rugas. Elas aparecem sem que eu perceba, enrugam até a minha alma. Mostram minha velhice escondida nas artemanhas de um falso jovem. Não tenho mais 20 anos, não sonho mais em ser astronauta. Não tenho mais os amigos de outrora nem desejo tê-los para brindar as noites de lua cheia.
Nesses dias de chuva observo da janela as gotas nas folhas das árvores, fico pensando como é ter sua casa arrastada pela chuva. E ao mesmo tempo enxugo o suor do nervosismo. Estou em busca de algo que desisto ao ouvir os trovões.
Essa chuva me desnuda. Me desnuda por completo.

4 comentários:

Cassio Brito disse...

Pois bem.
Acho que já esclarecemos tudo não é mesmo?!
O que ainda falta?
Somos diferentes, temos escolhas diferentes... e antes que você o diga, eu afirmo:

GRAÇAS À DEUS!

.profusionn disse...

não desista, se tem vontade, não tem do que desistir.

eu te vejo longe.

Carollini Assis disse...

Chove tanto dentro de mim... que parece que tudo é rio. Fui tomar banho e a água caiu gelada , pensei que eu estava dando um mergulho no Porto da Barra. Saí e o vento da janela arrepiou todo o meu corpo. Também chovia forte. Engraçado que eu não pensei que estivesse me tornando balzaquiana, mas lembrei de alguns jovens que estão ficando mais velhos ... e esses jovens são jornalistas ... e eu lembrei de uma geração passada que mudou vários paradigmas ... Era melhor não pensar em idade, procurar uma saída para a mente ensandecida. Uma poça, um lago, um rio, um mar... merda, eu só tinha o chuveiro ou a chuva... fiquei com medo da leptospirose , antes meu chuveiro mesmo...

Carollini Assis disse...

PS: Pensei em vc também...