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3 de junho de 2009

Quem sabe um dia

Quem sabe um dia você me encontra sentado na esquina da Constante Ramos comendo feijão carioca com batata frita e um molhinho de pimenta a la Bahia.
Ou fumando um cigarro ao lado de Carlos Drummond de calça de capoeira de Angola. Quem sabe um dia eu consiga achar você caminhando no Rio Vermelho de camisa listrada e certa calça americana, fumando como quem não quer nada, somente olhando o oceano.
Por enquanto à noite eu me dispo, visto um manequim 38, e saio na avenida Atlântica caçando a presa de minha sobrevivência, suprindo minha ânsia.
Você lembra do segundo dia em que te vi? Desfeitos do efeito do álcool, me reparei olhando você melado de bronzeador, com as tatuagens expostas ao sol daquele mês de março. O silêncio entre nós foi quase ensudercedor. Você queria me amar, e eu queria te lamber e vice-versa.
E à noite você veste sua bermuda xadrez e sai por aí bebendo fontes regadas a vinho. Chuta as pedrinhas do caminho sorrindo e soltando palavras soltas para os seus amigos.
Eu a essa altura já tenho os olhos abertos, as mãos inquietas: não seguro as letras. Elas se perdem nos arcos da solidão.

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