O que eu estou sentindo é uma coisa assim, sem nome, sem voz. O tempo que me consome, o terror do passado que se esquece: é como dar nó em pingo d'água ou sorrir com a morte. Clarice Lispector então chega como uma louca, e eu, cheio de poesia dentro de mim, recito para o vazio do meu ser. Nenhuma resposta. Clarice soa como um ruído incômodo naquele silêncio.
A sensação de ser apenas a carne. Acho que seria mais feliz como irracional, e o relógio não poderia olhar para mim e me dizer que hora são toda vez que vejo o sol, que queima a pele, cada vez mais forte, e as pedras da praia que são furadas com a batida da água do mar e se transformam todo o tempo.
E não posso mais chorar. O meu desejo de irracionalidade se realiza aos poucos com o final do dia e da noite. Os pôres do sol já não são mais os mesmos, nem mesclados de cores furtivas de pensamentos, recheados de delírios. Volto a querer ser eu, ousado e colorido, quando penso que sem o tempo e o pensamento, deixaria de acreditar que o sol sempre morre e nasce mais bonito.
O que eu estou sentindo é uma coisa assim, sem nome, e sem voz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário