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12 de abril de 2008

Meu Dorian

O dia está estranho Dorian. O céu está cinza e as árvores imóveis. Ainda vejo todos os dias o velho tarado da minha janela. Ele não olha mais para cá, agora vive com a janela fechada depois que colocou ar-condicionado. Parece até ter esquecido que a janela dele está cheia de cupim e a qualquer momento pode cair na cabeça de alguém lá embaixo. Prefiro não comentar com ele, pode ser que pense que estou dando ousadia e sentindo a falta dele na janela há 100 metros da minha, se masturbando e dando risadinhas idiotas.
Essa noite tive sonhos também estranhos. Revi mortos, procurei as lápides deles e não encontrava. Vi mortos que na realidade estão vivos. Acordei com nó no peito.
Fui interrompido pelo destino, e meu destino interrompido por algo sem nome. Tenho feito sexo com outras pessoas, Dorian. E espero que isso não o chateie. O sentimento que tenho por você não vai embora por uma necessidade carnal, vontade de ejacular. Ele supera essas coisinhas que os seres humanos parecem não saber lidar até hoje. Inventam suposições, criam preconceitos em cima do orgasmo, e ainda tem a audácia de definir com quem ele deve ser sentido. Esse ‘medo’ do sexo veio de onde, Dorian? Até hoje me pergunto e não encontro resposta.

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