Pages


13 de março de 2007

A Mariposa

O cálice continuava na mesa, pedindo pra ser afastado. Ele sorriu em frente ao espelho como quem não quer nada, apenas se olhar e observar as rugas, o suor, o cansaço. Eram quase meia-noite de uma manhã e tarde complexa de pensamentos. E depois uma lua, escondida por trás de nuvens carregadas de chuva. Não se via a lua e isso era fato. Mas podia-se senti-la, talvez toca-la no ar. Uma fina melodia ressonava em sua cabeça, doce, às vezes triste.
- O reflexo não é mais o mesmo - disse para si.
Estava silêncio, sem chuva, sem vento, sem bananeiras balançando. Tinha sono e aos poucos ele foi tirando a roupa, pensava em deitar despido sobre o chão e da janela ver o céu carregado e de poucas estrelas. Ia se banhar com a maresia de março naquela noite, mas de janelas fechadas para não se molhar com as águas.
De repente surge o som daquelas asas serelepes. A Mariposa na janela sorria para ele, já grande, em um novo adolescer. Voava firme do outro lado, batia na janela pra mostrar a vida que ganhara.
- Mariposa! Mariposa... – exclamou baixo, tocando no vidro embaçado pelo aquecedor. Por minutos observou-a, cantando aquela música singela, de notas secas como folhas. O sono, por si só, lhe trouxe os sonhos. E a Mariposa voou, voou, voou.

6 comentários:

Anônimo disse...

Bonito texto, foi vc quem fez?? Obrigado pelo comentário e pela visita la no blog!!! =)

Anônimo disse...

Triste mesmo, é alguém que anda pela cidade como se andasse pelo mato a olhar as pessoas como pedras. Não disse aquilo pra te ofender, nem quis negar a importância das coisas simples, mas o que talvez seja complicado seja mais simples do que imaginas. Tudo depende do ponto de vista. Alguém pode andar pelas ruas olhando com um microcóspio as pequenas coisas e não ver o mundo ao seu redor, e outro de telescópio olhando sempre pra universo tb não ver o mundo que lhe rodeia. O mundo é sempre o que se vê e nada mais.
Desculpa se ofendi de alguma forma a sua sensibilidade.
Abraços.

Anônimo disse...

Já imaginava isso, mas me surpreendi num primeiro momento com a seu comentário e com vc não ter permitido que o meu figurasse no seu blog. Ai, to cansado. Nem sei ao certo o que lhe dizer e nem sei se tenho algo a lhe dizer ou se devo lhe dizer alguma coisa. Só sei que toda vez que chego nesse blog gostaria de abrir o meu coração um pouquinho e ver o vc diz. São palavras o que eu estou a dizer, onde elas terminam e eu começo? Não sei... poderia terminar o meu monologo como numa narrativa fantastica de Chicó: não sei, só sei que foi asim...
Mas como é mesmo que foi...
Ah, Abraços, ninguém perde nada em se abraçar.

Filho disse...

Teoria do caos: uma mariposa batia suas asas contra a minha janela. Meses depois um furacão devastava os EUA. Viva a furia das pequenas coisas.

Bernado disse...

Eu teria matado a mariposa. rs
Não gosto de bichos voadores no meu quarto. =P

Anônimo disse...

rsrs...
Oi, to aqui, ja tinha passado no seu blog, mas como não tinha visto nada novo não comentei.
Meu coração ta aqui, solto, dançado a beira da meu peito procurando as tuas palavras. Mas hj vc não disse nada. Ou disse? Ah, disse porra... Uhn!? Eu digo: oi, quero um canto pra deitar, perto de uma janela pra que eu possa olhar por ela meu mundo a não girar.
Abraços.