As palavras estão brotando do meu eu como água de bica.
Sinto uma força pulsar dentro de mim, como um grito rouco, abafado
Que esrivesse guardado em um baú por longos anos.
Grito rouco e tímido, que se mostra como pétalas de rosas e depois desfruta da beleza de ser em si, uma rosa.
Acho que pessoas sentem coisas parecidas, e dão a essas coisas as palavras que bem entenderem.
Mas de repente, esse grito fica mudo, como se nunca tivesse saído do seu baú.
As palavras murcham antes de florescer, como pétalas que não sobrevivem à poeira do deserto.
E não penso em nada, e pego um livro de Fernando Pessoa, leio uma poesia de Alberto Caeiro para que o grito se inspire e soe, e me frustro. Caeiro era tão diferente do que sou e ao mesmo tempo tão o que eu queria e ache que deva ser.
“Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com gente que pensa...
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me coisas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...
Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra a consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos....
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar, tenho a Terra e o Céu.”.
(Alberto Caeiro, por Fernando Pessoa)
Que tudo mais vá por um verso...
Ao menos a chuva grita e refresca a noite...
E molha as bananeiras
E tira a cera de meu chão
Porque tenho as janelas abertas....
Hieros, 20 anos. [rs]
Sinto uma força pulsar dentro de mim, como um grito rouco, abafado
Que esrivesse guardado em um baú por longos anos.
Grito rouco e tímido, que se mostra como pétalas de rosas e depois desfruta da beleza de ser em si, uma rosa.
Acho que pessoas sentem coisas parecidas, e dão a essas coisas as palavras que bem entenderem.
Mas de repente, esse grito fica mudo, como se nunca tivesse saído do seu baú.
As palavras murcham antes de florescer, como pétalas que não sobrevivem à poeira do deserto.
E não penso em nada, e pego um livro de Fernando Pessoa, leio uma poesia de Alberto Caeiro para que o grito se inspire e soe, e me frustro. Caeiro era tão diferente do que sou e ao mesmo tempo tão o que eu queria e ache que deva ser.
“Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com gente que pensa...
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me coisas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...
Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra a consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos....
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar, tenho a Terra e o Céu.”.
(Alberto Caeiro, por Fernando Pessoa)
Que tudo mais vá por um verso...
Ao menos a chuva grita e refresca a noite...
E molha as bananeiras
E tira a cera de meu chão
Porque tenho as janelas abertas....
Hieros, 20 anos. [rs]
Um comentário:
"Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
...E assim, sem pensar, tenho a Terra e o Céu.".
Mas mesmo pensando, conseguimos ver/ter/ser as árvores, os pássaros, o mar...
E a cada onda que quebra, nos renovamos e vamos tudo de novo, de um novo começo.
Maravilhoso
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