Se não fossem os artistas que subiram ao principal do Teatro Castro Alves, na noite de anteontem, o Prêmio Braskem de Teatro 2008 de teatral não teria nada. Quem se acostumou às ultima edições do evento, recheadas de encenações e esquetes teatrais, teve que se conformar com a esforçada apresentação dos atores Márcia Andrade e Widoto Áquila, que realizaram uma bela homenagem a Hebe Alves, dama do teatro baiano.
O evento, no entanto, não perdeu o tom de protesto, e foram muitas as mensagens para a classe artística. “Cadê diversos artistas que não estão nesse palco? A falta de oportunidade para a classe teatral é algo grave que está acontecendo na Bahia. Agnaldo Lopes, cadê? Não é um protesto, é um aviso. Tem que resolver esse negócio”, disse o diretor teatral Fernando Guerreiro ao entregar o prêmio de melhor espetáculo adulto para “Policarpo Quaresma”, dirigida por Luiz Marfuz.
Em tempos de crise, ficou claro que a Braskem economizou dinheiro e preferiu poupar críticas dando continuidade à principal premiação do teatro baiano. Marfuz fez questão de parabenizar a Braskem. “É importante nesse tempo de crise acontecer o Braskem de teatro. Uma lição para todas as empresas, para todo mundo. Não queremos viver da utopia. A cultura tem que sair”.
Nos rápidos discursos de alguns dos vencedores, a tônica foi justamente a dificuldade do teatro baiano em promover a cultura no estado e servir de chamariz para a arte.
Protagonista de Policarpo Quaresma, o ator Hilton Cobra considerou a Lei Rouanet – atualmente em discussão pelo Ministério da Cultura – apenas uma medida paliativa e disse ser preciso incentivo ao público. “O maior problema hoje é a acessibilidade do público ao teatro. A lei Rouanet é paliativa. É preciso descobrir mecanismos para que o público volte ao teatro”, desabafou.
Encarnando o espírito do seu personagem, um servidor público que luta por causas sociais do país em pleno início da Segunda República do Brasil, Hilton Cobra não poupou críticas durante sua ‘performance policarpiana’. “Precisamos abrir os olhos para a televisão brasileira. A partir do momento que a televisão massificou a mediocridade o público do teatro desapareceu. A TV é uma concessão pública e tem que servir às artes. O governo e a TV tem que fazer o povo pensar”.
A premiação, que durou cerca de 1 hora e meia, não levou ao público a lembrança do lúdico dos palcos. Nos bastidores, se comentava que a Braskem pensou duas vezes em organizar a festa diante da crise econômica. Optou pelo sim e estabeleceu regras: sem teatralidade, sem apresentações de grupo.
No júri, renomados nomes da classe artística baiana e brasileira: a professora de Interpretação teatral da UFBa, Hebe Alves, a atriz Vadinha Moura, a diretora teatral e dramaturga Adelice Souza, o ator e mestre em Artes Cênicas Hirton Fernandes, o artista plástico, cenógrafo, figurinista e diretor de arte Gilson Rodrigues, o ator e professor da Escola de Teatro Paulo Cunha, e a professora da Escola de dança da UFBa, Beth Rangel.
A Orquestra Sinfônica Juvenil Dois de Julho, do Projeto Neojibá, deu o tom ao evento com um concerto emocionante, mas pouco aproveitado. Faltou dinheiro pro teatro, cumpadi? Qui sacanage.
(por Hieros Vasconcelos)
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Os vencedores:
Espetáculo: Policarpo Quaresma
diretor Luiz Marfuz: “Esse espetáculo foi criado com pouco dinheiro e muita vontade de continuar a dar alegria às pessoas. Este ano completo 30 anos de teatro e quero dividir isso com a Bahia”.
Espetáculo Infanto-Juvenil: “Os Prequetés”
Direção: Luiz Marfuz – Policarpo Quaresma
Ator: Urias Lima – “Um caso de língua”
Ator Coadjuvante: Armindo Bião – “O pique dos índios ou a espingarda de Caramuru”
Atriz: Cláudia Di Moura – “Policarpo Quaresma”
Atriz Coadjuvante: Elaine Cardim – “Policarpo Quaresma”
Texto: Dina Pereira – “Memória Ferida”
Categoria Especial: Fábio Espírito Santo (iluminação)
“A prefeitura atual teve a idéia de fechar o Teatro Gregório de Matos, o único teatro municipal daqui”
Revelação: Rodrigo Frota
Espetáculo: Policarpo Quaresma
diretor Luiz Marfuz: “Esse espetáculo foi criado com pouco dinheiro e muita vontade de continuar a dar alegria às pessoas. Este ano completo 30 anos de teatro e quero dividir isso com a Bahia”.
Espetáculo Infanto-Juvenil: “Os Prequetés”
Direção: Luiz Marfuz – Policarpo Quaresma
Ator: Urias Lima – “Um caso de língua”
Ator Coadjuvante: Armindo Bião – “O pique dos índios ou a espingarda de Caramuru”
Atriz: Cláudia Di Moura – “Policarpo Quaresma”
Atriz Coadjuvante: Elaine Cardim – “Policarpo Quaresma”
Texto: Dina Pereira – “Memória Ferida”
Categoria Especial: Fábio Espírito Santo (iluminação)
“A prefeitura atual teve a idéia de fechar o Teatro Gregório de Matos, o único teatro municipal daqui”
Revelação: Rodrigo Frota
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