me deparo todos os dias com um outro eu,
que não queria que existisse,
mas ele está ali.
Entro em confronto comigo mesmo,
também diariamente,
em horários variados.
Assumo então a posição de carrasco de mim,
outrora vítima,
outrora sábio.
Parte minha está na esquerda,
outra na direita,
outra é neoliberal.
Perco minha identidade diante dessa vida,
desse filme que eu não escolhi.
Pareço cão desvairado,
que ri de dor e chora de alegria
quando morde o próprio rabo.
A noite, fico feito louco alucinado.
Durmo,
acordo com os olhos inchados,
mas a alma de manhã é sempre limpa,
ou parece ser.
É no que eu acredito pra viver.
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