Quando eu era pequeno, adorava mudar de casa. Inventava até espírito na escuridão do meu quarto para convencer minha mãe. Procurava apartamento para alugar no jornal , ligava e perguntava preço. Aos 10 anos já sabia o valor de um aluguel.
Hoje eu não sei se gosto tanto assim. Sabe, as mudanças começam a me assustar agora. Parece que com o tempo a gente cria mais medo e insegurança. Parece não, é isso mesmo, né?
Pois é. O xis da questão é que vou mudar de casa, de trabalho e de ideologia porque não encontro uma que me satisfaça. Meus amigos mudaram, minha cara mudou, até o Correio da Bahia mudou! Não verei as mesmas pessoas, nem vou ouvir as mesmas piadas e risadas. O universo de cores, sóis e flores vai ser de outro.
Com meu disfarce genial, que é minha cara de abestalhado feliz, eu tento enganar o tempo e as pessoas. Finjo que tá tudo bem. "E aí, tá tudo bem?", "tá tudo ótimo", respondo. Mentira, penso.
Mas é melhor andar sorrindo do que chorando.
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