Acordo e espero uma hora no ponto de onibus. Não sei porque cargas d'agua. No caminho pro jornal, coloco meu radinho no ouvido e começo a olhar, como sempre.
Tudo é a mesma coisa e ao mesmo tempo outra coisa. O dique do tororó é a beleza do meu percurso. Quando chego ali fico feliz. Até lá, vou de saco cheio. Adoro o dique com suas árvores enooormes que mudam as folhas de maneira espetacular. É massa, tem cada uma linda. Reparo então na primeira árvore. Ela está com um laço branco em sua volta. A segunda arvore também, a terceira, quarta, e perco a conta. Todas as árvores estão com um laço de pano branco.
"Gente, o que é isso?", penso. Imagino que seja um ato do povo do axé. Claro, aquelas arvores são sagradas. Não que as outras não sejam, mas ali se concentra força.
Chego no jornal com isso na cabeça. Pergunto do que se trata, se alguem viu, ficou mexido com o que viu, já sabe o que é. "É um repudio, não, não é bem um repúdio, é um protesto do povo do candomblé contra a intolerância religiosa", me diz alguém.
Pois é. O dique ficou lindo, a energia foi de paz, e o céu ficou azul e verde anil. Diga não à intolerância religiosa.
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