de repente ray charles invadiu a minha vida com seus 20 clássicos reunidos numa coletânea. Acordei às 9h, abri a porta e ele entonava yesterday rouco e meio louco. Minha mãe já estava agitadíssima arrumando a casa, num vai e vem alegre e satisfeito de quem está disposta pra vida. Numa cena incomum em nossa casa, de pratos amontoados e comida de marmita.
Não precisei olhar pro céu, me ajeitei em meus trabalhos e arrumei meu quarto, lavei os pratos e até o quarto amarrotado de bugigangas, eu dei uma limpadinha. O dia passou.
Levei Ray para a casa nova de um amigo, expulso pela família, deixado de lado com sua loucura. Apresentei ele ao meu trabalho, meus cantos e desencantos brotados naquela manhã. "talvez ele volte até para casa um dia, o que eu acho mesmo difícil, e se voltar, volta melhor", disse alguém diante do horizonte escuro do oceano, e de algumas luzes acesas e amareladas da orla.
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na metade do tempo, eu passava diante dos meus sonhos frustrados e da minha ânsia consumista de tempo. Não era nada fácil aguentar todo aquele ermo e breu mental. E final de ano atiçava os sentidos de renovação, mudança e perda de tempo. Tempo, uma palavra que sempre me incomodou o tempo todo. Impossível viver sem. Em 2008, quero ter a plena certeza de que ele é infinito.
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2 comentários:
Também já saí de casa uma vez. Foi boa a experiência. E depois disso, é dificil querer ficar no mesmo lugar.
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