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27 de setembro de 2007

Quando o amor é cego e precisa de muletas.
O monstro dos olhos verdes tomou conta de sua alma, ao som de Betânia cantando O Ciúmes. A música parecia feita para ela. Sentia-se varada por uma flecha negra que ardia e ardia...Ciumenta era desde menina. Possessiva. Nunca dividiu namoradinhos com as amigas. O que era seu, era seu. Era possessiva sim.Odiava a idéia de ser traída. E o homem que a quisesse teria que agüenta-la do jeito que era. Com Geraldo, não teve problemas. Ele era perfeito, encantador e, principalmente fiel.

Era mesmo um presente dos céus. Resolveu investir. Afastou-se dos amigos, das amigas, largou de vez os programas de cinema, festinha, e bate-papos de fins de semana. Elogiá-lo na frente de outras mulheres?. Falar de homem para as amigas só se fosse mal. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria. E ela estava escaldada.

E ela foi levando a vidinha ao lado de Geraldo, feliz, segura, satisfeita. Mas, sem mais nem menos, começou a sentir que ele mudara. Estava distante, saía com freqüência, e as desculpas se tornavam cada vez mais esfarrapadas: ia jogar dominó com os amigos, ia visitar uma tia distante, a mãe precisava de seus favores, não podia perder a pelada etc, etc, etc.

Sua paz acabara. Vigiava-o o tempo todo, cada gesto, cada telefonema recebido, o jeito dele se vestir, se colocava perfume... Uma colega de trabalho lhe deu a dica: “contrata um detetive. Assim você tira as dúvidas e põe essa história a limpo.”

Contratou um detetive através de um anúncio no jornal. Lá se iam suas economias de um ano.
Quinze dias de angústia se passaram até receber o ansiado telefonema: “tenho o que a senhora pediu”, falou o detetive. Encontro marcado, mãos frias. Que decisão deveria tomar quando soubesse que seu marido tinha outra? Seria capaz de se separar de Geraldo? Poderia fingir que não sabia de nada?

O detetive, com óculos Rayban, e terno amarfanhado se aproxima com ar de suspense. Ela mal pode respirar. Extremamente profissional, ele mostra a ela fotos e documentos e diz:: “Minha senhora, o que tenho a lhe dizer é muito sério: seu marido não tem nenhuma amante. Tudo que ele conta para a senhora é verdade Ele fala alto, é inconveniente , gosta de ser o dono da verdade, e quando fala cospe nas pessoas. Em suma, é muito chato. E, como a senhora sabe, ele não tem dinheiro. Não há , portanto, com o que se preocupar”...

Ela faz o cheque com um suspiro de alívio. Suas amigas morreriam de inveja. Teve sorte. Escolheu o marido perfeito.

É como dizem os ditados: quem ama o feio, bonito lhe parece, um sapato velho para um pé doente, cada ovelha com sua parelha, o amor é cego.
Aurora

Um comentário:

Anônimo disse...

Ihhh, tem gente assim?!