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23 de agosto de 2007

A Convidada

Fez um movimento, tentando soltar-se. Sentia-se, porém, tão pesada e tão pusilânime que, antes de conseguir libertar-se, já sentia sobre o seu o corpo nu de Guimiot. Era um corpo fluido, macio, que se adaptava exatamente ao dela. Lembrou-se dos beijos pesados, dos braços duros de Claude e abriu os olhos. Guimiot torcia a boca, num esgar de prazer. Nesse instante ele pensava apenas em si próprio, com a avidez daqueles que tudo querem aproveitar, até o fim. Elisabeth voltou a fechar os olhos. Dentro dela ardia a humilhação. Ah! Que tudo terminasse bem depressa. Guimiot, num movimento terno, encostou a face no seu ombro. Ela, por sua vez, apoiou a cabeça no travesseiro. Sabia, porém, que não dormiria. Agora já não havia remédio; não podia deixar de sofrer.

A Convidada, de Simone de Beauvoir.

4 comentários:

.profusionn disse...

Também estás a ler Beauvoir??

:)

Anônimo disse...

ADOREIIIII O POST

BJO

HAIRYBEARS
http://hairybears.blogspot.com/

Anônimo disse...

Por que não me fazes chorar?

Flávia disse...

Q texto envolvente....fiquei curisa! :)