Acordei em frente a uma parede cor de uva que devia ser vermelha; ao lado de um ruivo que devia ser moreno, com os olhos cor de mel e uma barba que me fazia cócegas. Acordei tonto, nauseado pelos nervosos goles que dei nas bebidas da noite anterior à espera da nuvem de bethânia, que só encontrei depois de apalpar o pau do cara que mijava ao meu lado no banheiro do bar que por vezes frequentei com uma máscara de santo.
A máscara caiu; o dia amanheceu chuvoso e eu me vesti antes de tomar o café forte e amargo que ele fez para mim. Dei um beijo nele, anotei seu telefone e andei em direção de não sei aonde, com destino a lugar nenhum. A noite havia terminado e meu coração continuou vazio, cheio de ar, apenas ar.
Um comentário:
Uhn... tantas noites iguais... tantas noites descartáveis, mas necessárias... que noite é essa? noite de uma vida de um desespero amargo e silêncioso consumindo a alma dos barbaros doces que somos? Que encanto guarda o membro do homem para que ao toca-lo eu esqueça do pesadelo que sonho vulgarmente? Que desejos, os meus, terão a força de arrancar-me da lama do corpo dos mil homens que tive e não amei? "...rei vulgar, a vagar..."
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