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1 de maio de 2007

Seria o fim?

De tempo em tempo, ela ia para seu jardim a quilômetros de distância de sua casa. Observava ali o quanto as rugas ordenhavam suas tetas, sugavam-lhe a vida. As ávores que viu crescer continuavam esbeltas e imponentes, suas folhas renovadas a cada outono como aquele em que estava pra acabar.
Sorriam-lhe as novas mudas, plantadas por crianças como fora outrora, mas ela já transpirava a morte e não sabia se viria novamente o bosque se multiplicar. Eram tantos anos que não podia mais esperar. A esperança não saberia se equilibrar com o que sobrara da ampulheta de sua existência, por isso ela queria ver, ao menos, uma flor brotar no seu jardim onde conheceu a maioria dos prazeres.
...

Um comentário:

Cassio Brito disse...

Tem um conto magnífico de Clarice, no qual ela recebe, de inesperado, a visita da esperança.
Talvez, a flor brote. Não no seu jardim, mas na alma.