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10 de fevereiro de 2007

Somos assassinos, cúmplices

Não acredito que o Brasil vá ter padrão de vida europeu em 2050, como afirma o PT. O que vejo é o país sendo assolado e devastado pela miséria, violência e pobreza. Vejo um futuro claro diante dos meus olhos: guerra. Morte. As leis morais, de amor e paz, jogadas no lixo.
O Brasil não precisa de políticas públicas para gerar emprego. Emprego não dá consciência nem educação a ninguém. Precisamos é de humanos que se sensibilizem, que sintam na pele todas as dores que um outro sofre. Não vejo como o Brasil pode atingir um padrão de vida europeu, quando a maioria dos brasileiros é analfabeta.
Nos jornais, os destaques são para a morte do garoto de seis anos, arrastado por sete quilômetros no asfalto. A polícia consegue prender os acusados e encontram mais envolvidos. Eles são crucificados, xingados e odiados por todo o Brasil que, de seus sofás e cadeiras, só fazem sentir pena. Fomos tomados por uma energia de conformismo. Julguem os assassinos! Enquanto os mandantes dos crimes, os cúmplices – que somos nós – ficam em suas tocas, protegidos pelas grades e cadeados, lamentando o caos que se instala.
Poupe-me. Eu sou o culpado pela morte daquela criança e de milhões de pessoas. Eu só consigo sentir pena. Verdadeira galinha sem revolta e atitude. Vejo corrupção e desgraças e afirmo que as “políticas públicas” de nosso país precisam mudar. Políticas públicas? O que é isso diante dos fétidos gestos que saem de nossos políticos? Quanto tempo demora a implantação dessas políticas públicas?
Quantos brasileiros estão em casa com pena da situação e metendo o pau na política? Quantos brasileiros saem para pular Carnaval, festa onde enxergamos nitidamente a desigualdade social que toma conta do Brasil, e tapamos os olhos porque são “dias de festa e alegria?” Nesses dias a pobreza e a miséria estão todas nas avenidas. O caos se instala e a gente vê! A gente presencia! Mas esperamos o período passar para voltar a reclamar, reclamar e reclamar.
Poupe-me Brasil. Poupem-me brasileiros. Poupe-me Hieros. Somos assassinos cruéis.
Ao invés de Carnaval, proponho LUTO. Revolta. Milhões saem às ruas para beber e festejar, mas o quê eu não sei. Vamos sair às ruas para lutar, pedir providências. Talvez nossos políticos percebam que não somos alienados, vacas, porcos ou bois, e sim donos de nosso país. Dono de nossas terras. Meus pêsames. Sou um homem morto, enterrado num país sem vida.

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