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3 de fevereiro de 2007

Dia dois

Estou vivendo intensamente por medo do amanhã. Ando pelas ruas perdido de mim mesmo. Não me encontro, não me acho em nenhum lugar, então corro feito um louco desesperado à procura de sensações.
Tenho sentido muito nos últimos dias. Amores, paixões, raivas, ansiedades, saudades. Saudade é a sensação que mais dói. Paixão eu administro bem, uma vez que ela se renova a cada momento.
Ontem foi dia de Iemanjá e usei um colar de Ogum, também azul. Me soltei pelas fanfarras, flores, perfumes e desejos. Em cada beco, via um ponto de exclamação. O céu estava rosa, branco, verde e amarelo. Cores de Almodóvar em toda parte.
Me perdi de alguns, me encontrei com tantos que não lembro o nome. Molhei os pés no mar, a barra da calça encharcada. Um homem bonito, sensual e carinhoso derramou uísque em mim, depois lambeu meu corpo. Arrepios a todo instante, coração batendo a mil. Vontade de bater as asas e saudar aquilo que não sei explicar.
Minhas ligações foram parar na latrina de um banheiro químico. O celular pulou de minha cueca e mergulhou num mar de dejetos humanos. Lá ficou.
A festa de Iemanjá é pura magia. Chorei, dancei, corri, pulei e acordei só, deitado na areia de uma praia deserta. Já não tinha mais a mim. Não sabia mais de nada, a não ser que tinha o oceano escuro sob meus olhos. Levantei-me e quando dei por mim, só me restava a roupa do corpo. Com os pés descalços, pisei na lama deixada pelo povo e fui embora. As minhas havaianas azuis devem ter caminhado para os braços de Iemanjá. Odoiá.

Um comentário:

Anônimo disse...

Queria ter visto você por la´...
hehehe
Muitas vivências!
É bom aprender assim... hehehe
beijão,
saudades!