Depois de completar um ano trabalhando como repórter policial, percebi o quão somos estrelas no mundo do crime e dos pobres. Em um dos guetos da vida que costumo passar para tomar uma cerveja, um jovem de uns 23 anos me parou e perguntou: “Coisinho, você é jornalista né? Te vi em Brotas”.
Na hora senti vontade de dar risada, não pela pergunta, mas pelo “coisinho”. Dada minha resposta, tive a curiosidade e o perguntei em que situação ele me viu, já sabendo qual foi. “Ah, um homem que foi assassinado e que estava, assim, coberto com um pano. Você saiu do carro do jornal anotando." “Ah claro”, disse, fingindo não ter me lembrado. “Crime horrível, não?”, comentei.
Na hora senti vontade de dar risada, não pela pergunta, mas pelo “coisinho”. Dada minha resposta, tive a curiosidade e o perguntei em que situação ele me viu, já sabendo qual foi. “Ah, um homem que foi assassinado e que estava, assim, coberto com um pano. Você saiu do carro do jornal anotando." “Ah claro”, disse, fingindo não ter me lembrado. “Crime horrível, não?”, comentei.
Não poderia dizer outra coisa. Apresentei-me ao jovem, sorri, apertei sua mão e lhe desejei boa sorte por ter que morar em um local onde corpos ficam estendidos no chão, cercados de pessoas a quem a morte nada mais diz.
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